segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Final de ano letivo - Dúvidas em aprovar ou reter seu aluno?

clip_image001Final do ano, o professor que seguiu com sua turma todo o período, no dia a dia, bimestre após bimestre, naturalmente, foi avaliando e percebendo o desenvolvimento da turma, de cada aluno, e já em meio ao 3º bimestre vai se confirmando “aqueles” alunos que não avançaram o suficiente, e surgem dúvidas sobre aprovações e reprovações. O que será melhor para os alunos? Permanecer mais um ano retido ou aprovar sem o domínio dos conteúdos?
Além das avaliações formais de acordo com as orientações dos parâmetros curriculares, há alunos que o professor percebendo um desnível em relação aos outros, empenhou com vários recursos adicionais, interventivos e percebeu o interesse e o avanço, porém não totalmente suficiente. Outros apesar de todos as diversas ações pedagógicas diversificadas o aluno não demonstrou interesse, avançou pouco e deixou o professor preocupado… são várias os fatores que envolvem as dúvidas dos professores dado a peculiaridade de cada
aluno, cada caso, cada história de vida.
A intenção dessa abordagem – “Aprovar ou reprovar- Há sempre dúvidas!” – é mostrar alguns ângulos dessa questão que podem servir de norte para alguns e para outros casos duvidosos em relação promoção ou retenção. Questões que não constam nas orientações, mas que se pensadas e bem pensadas, podem tirar dúvidas e fazer com que o professor aprove ou reprove sem ficar ressentido com a decisão. Para tanto vamos apontar alguns casos mais comuns e como se constituíram muitas vezes desde outros anos letivos passados, outras séries/anos cursados, e destes exemplos é possível relacionar com outros similares.
clip_image002Se você tem uma avaliação inicial turma aproveite-a neste momento, pois será de grande utilidade para que ajude a você a se nortear em relação a cada aluno, e á turma toda. Faça um gráfico que mostre através dos bimestres os avanços.

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(Dicas somente para casos que geram dúvidas)
Exemplos:
1- Caso um: (4º ano – séries iniciais)
clip_image004“K” (turma de 4º ano- séries iniciais) no início do ano não apresentou pré-requisitos para a série/ano, até metade do 3º bimestre mostrava desempenho abaixo da média; comportamento normal, poucas perguntas, poucas palavras sobre si mesmo; copiava atividades, não realizava deveres de casa: enfim dificuldades em acompanhar a turma. O professor Realizou um atendimento individualizado: pouco avanço. O aluno lê e produz textos de estrutura pequena, dificuldades em interpretação escrita e oral, erros ortográficos. Realiza operações de adição e subtração, multiplicação e divisão em construção.
Investigação sobre sua história: veio de outra escola de uma cidade pequena, não aprendeu muito; a mãe entregou-o para os avós… Conclusão: o aluno não teve um bom desempenho no ano em curso por não ter adquirido nas séries/anos anteriores, cursados, os conhecimentos para a série/ano atual. “K” pode ser reprovado, uma vez que não tem nenhuma repetência, desde no próximo ano que seja acompanhado pela equipe multidisciplinar (necessita melhorar a autoestima) e passar por um projeto interventivo, como a correção de fluxo (GEEMPA), com todas estas recomendações no seu relatório final.
2-Caso dois: (4º ano – séries iniciais)
clip_image005“M” desde o início do ano demonstrou apatia, desinteresse, com uma repetência no 3º ano e uma repetência no ano (4º ano) em curso. Passou por vários atendimentos individualizados: pouco avanço. Dificuldades em resolver situações-problemas e com as operações, principalmente multiplicação e divisão. Dispersão, desinteresse, desmotivação. No terceiro bimestre demonstrou não acompanhar a turma, mas avançou na atenção e motivação. Lê textos de estrutura média de forma silabada, interpreta com intervenção. Produz textos espontâneos sem estrutura básica e erros ortográficos. Em matemática domina as operações, mas apresenta muitos erros. História de vida: aluno filho de pais separados. Ficou um tempo com a mãe e outro tempo com o pai. Cada um deu um direcionou os hábitos de estudos de formas opostas. O aluno sente falta do pai.
Conclusão: considerando que o aluno está em desenvolvimento na escrita e na leitura e nos conteúdos matemáticos, com duas repetências e uma história de vida, em que a ajuda da família só ajudaria se os pais estivessem dispostos a ajuda-lo ao invés de fazer dele um objeto de disputa (o que parece difícil), o aluno pode, avançar mais ou não, no próximo ano. Mas reprovar não mudaria muito a situação, já que tem duas repetência, mais uma repetência e haveria um retrocesso na sua motivação e está com defasagem idade/ano cursado. Ele pode ser aprovado e será, provavelmente, um aluno que vai prosseguir o que se chama “um aluno fraco”, com um ritmo aquém ao demais da turma.
3-Caso 3: (3º ano – séries iniciais)
clip_image006“S” chamou a atenção logo no primeiro bimestre: imatura, dependente, sem autonomia. Foi aprovada pela promoção continuada do Bia. Não domina a sistematização do código da escrita. Conhece algumas letras do alfabeto, escreve o pré-nome, não lê, não produz textos; dificuldades em nomear objetos, falha na psicomotricidade. conflitos emocionais familiares: pais separados. Já estava em acompanhamento pela Equipe Disciplinar: não apresenta indícios de déficit cognitivo. A família não segue as orientações da Equipe Multidisciplinar. A aluna é infrequente. Não avançou nos conteúdos de alfabetização e está no nível da psicogênese silábica. A aluna deve ser reprovada, uma vez que o professor realizou as intervenções necessárias, e não tem ajuda concreta da família. Recomendações: a aluna deve permanecer em atividades de psicomotricidade em oficinas pedagógicas e autoestima, na Equipe Multidisciplinar.
4- Caso 4- (5º Ano – séries iniciais)
“J” é um aluno que realiza atividades somente com atenção individualizada. Demonstra tranquilidade, bom comportamento e interage bem com a professora e com os colegas, Tem 3 repetências no 5º ano e nível de início de aquisições de conteúdos de 4º ano. Não se importa em aprender ou em ser reprovado. É indiferente quanto ao seu avanço acadêmico. Lê e escreve pequenos textos e tem dificuldades na interpretação; maiores dificuldades do aluno está em matemática, na solução de situações-problemas e com as operações. Recebeu atendimento individualizado com pouco avanço, Foi encaminhado no 3º bimestre, somente neste ano, à Equipe Multidisciplinar: os fatores que compõem sua história de vida não definem se há déficit cognitivo, necessitando passar por instrumentos avaliativos psicológicos, o que não foi possível por estar ausente a psicóloga da escola e a família não tem condições de encaminhá-lo ao atendimento na rede particular. O aluno já está com defasagem de idade/série cursado. Totalmente desmotivado. Perdeu os vínculos familiares e não demonstra ressentir. Os pais são separados. Mora com a avó, tios e primos e isso aparentemente, prá ele, é suficiente. A família não tem meios concretos de ajudar o aluno. Reprovar não vai regatar os conteúdos perdidos. O aluno deve ser aprovado com a sugestão de uma avaliação psicológica.
Estes são alguns casos bem peculiares que o professor pode encontrar na sua turma, e por estes exemplos, pode-se observar que os vários fatores foram analisados. É preciso lembrar que só o esforço do aluno e do professor ou somente de um ou de outro e os resultados não são ás vezes suficientes para decidir se é melhor aprovar ou reprovar o aluno. Uma avaliação através de exames formais de conteúdos trabalhados também não. Se um aluno apresenta se “fraco”, mas tem avançado, porque não aprová-lo? Ele tem chances de continuar avançando. É preciso mudar o olhar para os casos dúbios.
Por Julia Virginia de Moura

4 comentários:

  1. Avaliar um educando é uma tarefa muito complexa. O bom educador precisa, antes de dar o seu ok, fazer um apanhado de todas as suas ações, o que ele fez, de que forma e como. Deu o melhor de si? se sim, acredito que as surpresas foram surgindo no decorrer do ano letivo e não haverá motivos para reter o aluno. Avançar sempre. Uma ressalva: os estudantes infrequentes, infelizmente perderão porque não aprenderam a dar importância a uma das coisas mais sagradas ao ser humano, os estudos.

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    1. Concordo plenamente. Não provas escritas, no final do ano, com notas, que vão determinar, aferir os ganhos da aprendizagem, os conteúdos vencidos. Mas, os avanços que o aluno obteve desde o inicio do ano letivo.

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    2. Concordo plenamente. Não provas escritas, no final do ano, com notas, que vão determinar, aferir os ganhos da aprendizagem, os conteúdos vencidos. Mas, os avanços que o aluno obteve desde o inicio do ano letivo.

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