domingo, 30 de setembro de 2012

Varal de Histórias: “A Fada Plim-Plim e a Princesa Yasmin: como vivem as crianças?” Sexualidade: imitações ou descobertas?

DSC03668          DSC03691 

Situações do dia a dia na escola geram projetos.

Em turmas de 1º ano – séries iniciais –alunos apresentam comportamentos que sugerem manifestações possíveis de sexualidade precoce, uma vez que as crianças se socializam e interagem em vários ambientes muito mais voltados às expectativas e pretensões dos adultos, mas há que se considerar que podem, também, ser apenas imitações, brincadeiras em que acabam por reproduzir tudo o que vem, ouvem e presenciam, na maioria das vezes sem compreender bem tais comportamentos.

Analisando e considerando todas estas questões, a Equipe Disciplinar – SEAA da escola, que recebeu a solicitação de ajuda, pelo professor elaborou um projeto, com duração de 3 aulas, em que a primeira aula foi promovida pela pedagoga, onde o tema principal focalizou a sexualidade- abordada de forma indireta – enfatizando os papeis sociais do indivíduo desde bebê á velhice (através de um varal de histórias) – para que fossem identificados os comportamentos adequados á cada faixa de desenvolvimento.

A riqueza da abordagem possibilita ao professor, explorar todas as possibilidades curriculares que só vão fortalecer a internalização dos conhecimentos identificados e discriminados na primeira aula.

São eles: ciências e psicomotricidade ; língua portuguesa: escrita e leitura; matemática: situações-problemas, operações de adição e subtração ; expressão artística: sentimentos e trajetória de aprendizagem.

Outros conteúdos podem ser adicionados à estas sugestões, de acordo com outras necessidades da turma, uma vez que os alunos estarão motivados pela primeira aula/oficina.

 

Varal de Histórias – “A Fada Plim-Plim e a Princesa Yasmin – uma viagem ao mundo moderno”DSC03714

Sinopse da história: Uma pequena princesa muito triste pela perda da mãe, a Rainha, e a tristeza do pai, o Rei, que além de perder a esposa vê seu reino ser destruído pela guerra. Visitada pela fada madrinha Plim-Plim que se oferece para amenizar a tristeza da menina realizando um desejo. O desejo da princesa era saber como viviam as pessoas em mundos mais distantes, os chamados mundos modernos;

E assim as duas partem para uma longa viagem e chegam á uma pequena cidade, entram numa casa onde mora uma família e a fadinha começa sua aula mostrando como cada um dos personagens desta família vive.

Objetivos:

Favorecer meios em que os alunos possam identificar e discriminar comportamentos adequados que os indivíduos passam a adquirir nas diversas fases de vida, desde o nascimento à velhice.

Objetivo específico:

Mediar a compreensão de que é possível conhecer várias formas de comportamentos e atitudes, sendo que cada um deve se comportar de acordo com o seu desenvolvimento.

Estratégia

Os alunos participaram da primeira aula/oficina, na sala da Equipe (SEAA), onde há um mural do projeto “Contos de Fadas”, com a finalidade de estarem num ambiente em que o tema escolhido para o Varal de Histórias fosse propício e motivador.

Material para O Varal de Histórias (previamente preparado):

1. Duas praDSC03681primeiras representações, no varal: a Fada e a Princesa e cinco faixas de E.V.A contento apenas os títulos: BEBÊ, CRIANÇA, JOVEM, ADULTO e IDOSO (dobradas ao meio e presas com clips);

  2. Banco de Imagens – com palavras chaves impressas e coladas - representativas de comportamentos sociais das fases:

· BEBÊ – chupeta, dormir, chorar, mamar, brincar, crescer...

· CRIANÇA – estudar, jogar bola, soltar pipa, brincar, comer, dormir, crescer, videogame, ser feliz...

· JOVEM – estudar, passeios, baladas, esportes, competições, olimpíadas...

· ADULTO – namorar, casar, ter filhos, trabalhar, beber (bebidas alcoólicas), dançar...

· IDOSO – descansar, dormir, cantar, passear, cuidar dos netos...

· Alfinetes ou percevejos para afixar as imagens em cada faixa;

DSC03718

DESENVOLVIMENTO

1- A dinamizadora da oficina abre as cortinas do mural Contos de Fadas, anunciando com entonações de voz condizentes com as palavras que pretendem levar as crianças a esquecer o mundo que os cerca, e entrar no mundo mágico da fantasia e sonhos, dos reinos distantes onde habitam os reis, as rainhas, as princesas, a fadas, os príncipes, os sapos encantados... mas também as bruxas, as feiticeiras más, os dragões...

2- Após abrir as cortinas – começa a narrar a história da princesinha Yasmin e sua fada madrinha que para não vê-la tão triste oferece para satisfazer qualquer desejo que quiser. E a Princesa deseja conhecer outros mundos onde as pessoas vivem de formas diferente de todos os reinos que conhece, e estudar a vida destas pessoas. Isso vai ajuda-la muito, e ela ainda poderá aprender muitas coisas boas sobre a vida das crianças deste mundo e trazer as novidades para as crianças do seu reino.

DSC03641

E assim começa a viagem e elas chegam á uma cidade onde as casas são pequenas e muito próximas umas das outras. A Princesa escolhe entrar numa casa de onde, ao longe se ouve o choro de um bebê, curiosa porque chora esse bebê, entram e encontram: um bebê chorando num berço, a mãe preparando o café da manhã, o papai se preparando para ir trabalhar, duas crianças vestindo o uniforme do colégio, dois jovens prontos com as mochilas nas costas e o vovô e a vovó ainda dormindo. Curiosa Yasmin quis saber tudo sobre os bebês... depois sobre as crianças, sobre os jovens, os adultos e por fim sobre os idosos...

3- E aí a dinamizadora vai relatando a história, os diálogos entre a fada e a princesa, provocando a participação dos alunos no enriquecimento dos papeis de cada um, colando as imagens (com percevejos), lendo as palavras chaves

4- Colocando Imagens e Interagindo com as crianças no varal de histórias, intercalando conto e intervenções:

DSC03647

Exemplo: na faixa CRIANÇAS

Após cada imagem adicionada: o porquê de cada atividade, o que mais as crianças fazem, sempre comparando com o bebê: crianças usam fraldas? Usam o “troninho”, chupam chupetas, precisam chorar? Por quê? (essas intervenções são muito importantes porque há crianças no 1º ano que ainda fazem uso de chupeta, mamadeira, e fraldas noturnas...). provocando o senso crítico (pela auto-apreciação de serem crianças) de que ser criança é melhor que ser bebê, ser jovem, ser adulto...

DSC03715

Importante: quando chegar à faixa dos adultos está o foco indireto do objetivo da aula/oficina – sexualidade- quando surgem os papeis dos adultos e são comparados pelas atividades das crianças, enfocando o que não pode e que ser criança ainda é melhor;

Veja:

ADULTO: namorar, casar, ter filhos, trabalhar, dançar, beber (bebidas alcoólicas), intervenção: adultos podem beber? Podem. Mas podem beber muito, ficar bêbados, chegar em casa quebrar tudo, bater na mulher e nos filhos? Não. (sempre que surgir os temas trabalhar os valores); sempre relacionando com as atividades das crianças, o que podem e o que não podem e sempre enfatizando que ser criança é ainda melhor. Neste ponto a dinamizadora faz uma intervenção importante: “se uma criança assistir um filme de adulto ou ver os pais ou algum outro adulto namorando ou fazendo alguma coisa que somente o adulto pode fazer, esta criança pode fazer só porque viu e aprendeu?” No final nas faixas provocará a conclusão dos alunos; QUAL O MELHOR MOMENTO EM QUE VIVEMOS? QUANDO SOMOS BEBÊS, JOVENS, ADULTOS? Como foi muito enfatizado o momento da faixa da criança e a Princesinha encantada disse estar anotando tudo para levar para as crianças do seu reino, fazer com que elas aplaudem cada atividade divertida das crianças, elas vão concluir que é melhor ser criança e fazer coisas que crianças fazem, que crianças são mais felizes.

DSC03716

FINALIZANDO A HISTÓRIA

As crianças recebem uma folha divida ao meio por uma linha vertical, onde no primeiro espaço da folha no sentido horizontal (à esquerda), há imagem de crianças com a palavra CRIANÇA e no segundo espaço (a direita da folha) a imagem de um casal de adultos, onde será solicitado que as crianças expressem através de desenhos, com palavras e até frases (como quiserem) o que elas descobriram: “o melhor que as crianças podem fazer” e o que "somente os adultos podem fazer”. O varal já estará dobrado novamente para evitar que as crianças copiem as imagens e deixem a imaginação e os sentimentos exteriorizarem. Prá evitar que uns copiem uns dos outros, haverá prêmios para os melhores (escolhidos pelos próprios alunos).

DSC03703

AVALIAÇÃO

O comportamento posterior a esta aula/oficina determinará se essa intervenção foi suficiente. Caso os comportamentos se repitam, é o momento de chamar a família e se necessário uma “escuta” ao aluno com a intervenção direta.

2ª Aula – com o professor na sala de aula

Sugestões de Conteúdos Curriculares

Língua Portuguesa – Escrita e Leitura

*todas as crianças escreveram palavras e algumas escreveram frases, nas atividade de expressão artística.

1- Atividade individual _ avanço nas hipóteses

DSC03712

3 alunos se apresentaram silábicos: trabalhar o avanço na hipótese: as palavras que foram grafadas com uma letra ou mais de uma para representar uma sílaba – após pedir que a criança leia a palavra, estabelecer de forma lúdica um jogo de sílabas e letras: provocando a compreensão da grafia correta da palavra – quantas letras você acha que a palavra BRINCANDO tem? Muitas ou poucas? Quantas sílabas? Podemos contar nos dedos: BRIN (1) CAN (2) DO (3) – três sílabas/ certo – vamos descobrir quantas letras tem em cada uma destas silabas? Fale bem devagar e você vai perceber quantas letras e quais são estas letras... (essa é uma técnica excelente que provoca a DESCOBERTA da grafia das palavras: o próprio aluno descobre quais letras vai usar e perceber quais letras deixou de grafar na primeira vez quando realizou a atividade), lembrando que vale a pena ajudar o aluno a avançar na hipótese, já na reta final do ano letivo o aluno já conhece as letras do alfabeto, a sonorização e a grafia... quando completar a compreensão da codificação estará alfabético e pronto para formar frases.

Atividade Coletiva formação de frases

Na avaliação das atividades

5 alunos formaram frases com palavras aglutinadas e 15 alunos não formaram frases, mas usaram palavras

1_ Ditado de palavras, aproveitando as palavras que os alunos escreveram nas atividades. Após o ditado:

di

Autocorreção – cada criança fará leitura em voz alta e tentará descobrir quais palavras escreveu de forma incorreta – corrigi-las;

Correção Individual- o professor vai olhar todos os ditados com cada um dos alunos e trabalhar com eles a correção;cor

Correção Coletiva – na lousa, o professor vai transcrever todas as palavras.

Pedir que escolham palavras e formem frases (oralmente e depois as escrevam no caderno)

Correção na lousa: pedir que alunos ditem as frases que escreveram e use a técnica das palmas para grafar as palavras separadamente ou tampinhas para cada palavra, essas técnicas ajudam as crianças que estão aglutinando palavras nas frases.

Produção de Texto

Após todo o trabalho com as palavras e frases, solicitar aos alunos para contem como foi a aula com a pedagoga, gostaria de saber o que aconteceu, como aconteceu, se gostaram... à medida que os alunos vão relatando o professor vai escrevendo e orientando como se coloca os elementos básicos da estrutura de um texto:

teTítulo – Espaço – Parágrafo – Começo – Meio e Fim (pontuação: ponto, vírgula e ponto final).

Avaliação:

Solicitar aos alunos a apreciação em relação á aula/oficina, provocar o relato dos pontos mais importantes e no final, trabalhando com o senso crítico, reforçando a importância dos papeis sociais adequados.

3ª Aula – Ciências e Psicomotricidade

· Identificar todas as partes do corpo; Atividade: traçar o contorno do corpo no papel e completar o esquema corporal – cabeça (olhos, boca, nariz, cabeça, cabelos, orelha, ouvidos); usar músicas que usam comandos de movimentos com o corpo.ch

· Conhecer as partes do corpo (ciências) cabeça – tronco e membros (funções)

· Reconhecer os sentidos;

· Identificar e diferenciar as partes do próprio corpo como as partes do corpo dos amigos;

Expressão artística – desenhar o próprio corpo com riqueza de detalhes.

3ª e última Aula

A ordem dos conteúdos aqui sugeridas é distribuída de acordo com as necessidades maiores da turma pelo professor.

E matemática, especificamente em numerização: use todos os dados da 1ª aula/oficina para trabalhar conteúdos matemáticos.

Sequência Numérica – quantas fases vivemos: bebê – criança- jovem – adulto - idoso (números cardinais– classificação)

1 – 2- 3- 4- 5- ;m

Qual a primeira fase? (números ordinais – seriação)

1ª fase 2ª, 3ª 4ª 5ªord

Dentro da sequência numérica: trabalhar com idades - quanto tempo dura o tempo de ser criança- lembrando que ser criança começa quando a gente nasce: relacionar quantidades e tempo (meses – anos)- quando nascemos - 0 – quando se passa 12 meses ( um ano tem 12 meses) – 1 – ( contagem um a um) adicionando mais um ano – 2 e daí segue a sequência numérica – 0 – 1 – 2- 3- 4- 5- 6- 7- 8- 9 – 10- 11 – 12- 13 – 14- 15 –

Após os 15 anos começa a ser jovem – conta-se o tempo da juventude até entrar na idade adulta; assim por diante, relembrando durante o trabalho com sequência numérica os papeis sociais que também mudam quando passamos de uma fase á outa;

Situações-problemas

f

Construir com os alunos; é muito importante o aluno construir uma situação-problema, a princípio ao seu mod0 e em seguida nos moldes que estão nos livros e nas avaliações – pois compreendendo os enunciados criados por eles mesmos, nunca haverá dificuldades nos cálculos mentais e nas operações que efetuarão para obter respostas corretas.

Construção coletiva de situações- problemas

A primeira atividade pode ser construída partindo da história da Fada e da Princesa:

Levantar os dados e anotar na lousa:

Turma, quando a princesa escolheu a casa que gostaria de conhecer quais foram as pessoas que ela encontrou? Os alunos vão ditando e o professor anotando:

1 bebê

2 crianças

2 jovens

2 adultos

2 idosos

Então quantas pessoas havia nessa família? Eles responderão: 9 pessoas

Vamos escrever esta história? O professor vai formatando a situação-problema com ajuda dos alunos, como numa produção de textos coletiva:

“Numa casa moravam (deixe que os alunos façam a formatação deles, depois o professor organiza o texto) um bebê, duas crianças, dois jovens e dois idosos”. ( O professor pergunta e quantas havia então?). Vamos colocar essa pergunta? E coloque . O texto ficará assim:

“Numa casa moram um bebê, duas crianças, dois jovens e dois idosos, Quantas pessoas mostram nesta casa?”

Leia o texto para os alunos e leve-os a perceberem que se escreverem de outra forma vai ficar melhor. Pois desse jeito não parece que é uma família, mas pessoas que cuidam cada uma de si mesmas. Vejam: vocês disseram que quando a princesa entrou na casa tinha um bebê chorando, duas crianças vestindo seus uniformes, uma mãe preparando o café da manhã... para ser uma família de verdade não é melhor começar pelas pessoas que cuidam dessa família ( novamente reforçando os papeis sociais)? Eles dirão: os pais

Vamos tentar então começando pelos adultos;

Numa casa moram um casal que tem (quantos filhos?). em vez de falar um por um vamos falar logo quantos ( atividade de quantificação) 5 filhos. Certo. (Um bebê, duas crianças e dois jovens). E os avós das crianças. (ficou melhor?) Certo. Agora a nossa pergunta que já ficou boa na primeira vez. Quantas pessoas moram nesta casa?

O final ficará assim:

“Numa casa moram um casal que tem 5 filhos e os avós dos filhos. Quantas pessoas moram nesta casa?”

Eles novamente, mesmo sem perguntar vão responder : 9 pessoas – e o professor vai questionar qual foi a estratégia que usaram para dar essa resposta. Eles com certeza contaram nos dedos. E o professor vai concluir que eles juntaram os dedinhos que representavam as pessoas e acertaram a resposta, mas que há outra maneira de dar essa resposta. Aí o professor vai colocar os dado na lousa e dizer que se ajuntar todos, ou somar, mesmo usando os dedinhos vai encontrar a mesma resposta:

1 casal = 2 adultos

5 filhos

2 avós                                                su

2 + 5 + 2+ = 9 e pode se colocar um abaixo do outro (armando a operação)

*Pode se construir outra situação problema partindo desta, por exemplo, depois que os dois jovens saíram quantas pessoas ficaram e estarão construindo o cálculo da subtração, repetindo o mesmo processo.

Após usar esta técnica algumas vezes de construção de situações – problemas coletivamente, solicitar que os alunos construam individualmente contando uma pequena história e dando os dados e a pergunta.

Por: Júlia Virginia de Moura - Pedagoga

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não seja apenas um visitante que busca artigos interessantes, atividades que podem ser usadas em sua sala de aula. Deixe seu comentário.Uma sugestão. E o mais importante contribua com suas ideias, práticas e experiências de sucesso.Enriqueça este espaço, sem a sua participação, não haverá sucesso. E volte sempre.Obrigada